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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mestres da poesia


O genial Zé Catota, poeta quase centenário, mora em São José do Egito, praticamente esquecido, sem o devido reconhecimento a sua grandeza poética. Como todo grande poeta que atinge uma idade avançada, para quem viveu a boemia, o mestre só se comunica através de versos improvisados. Não fala mais, só improvisa. A pouco tempo, em sua casa modesta num bairro periférico de São Zé, foi perguntado, por um eventual visitante, quais dos cantadores antigos ainda restavam pra contar a historia da poesia, o mestre desfila sua magoa em mais um improviso impagável;

Dos cantadores antigos
Tem eu e Pedro Amorim
Eu aqui em São José
Pedro lá em itapetim
Por lá ninguém lembra dele
Aqui esquecem de mim.

Como diria Pinto do Monteiro, “A cascavel do repente”, “Poeta é aquele que tira de onde não tem e bota aonde não cabe”.
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domingo, 11 de maio de 2008

Mestres da poesia

Foto Paulo Carvalho

O poeta Zé Vicente, na foto com Louro do Pajeú, viajou fora do combinado nesta sexta-feira última passada. O poeta estava hospitalizado a dias na cidade de Bezerros, e teve seu descanso merecido. Zé Vicente foi e sempre será um ícone no universo dos repentistas.

O que prende demais minha atenção
É um touro raivoso numa arena
Uma pulga do jeito que é pequena
Dominar a bravura do leão
Na picada ele muda a posição
Pra coçar-se depressa com certeza
Não se serve da unha nem da presa
Se levanta da cama e fica em pé
Tudo isso provando quanto é
Poderosa e suprema a natureza

Admiro demais o beija-flor
Que com medo da cobra inimiga
Só constrói o seu ninho na urtiga
Recebendo lição do Criador
Observo a coragem do condor
Que nos montes rochosos come presa
Urubu empregado na limpeza
Como é triste a vida do abutre
Quando encontra um morto é que se nutre
Quanto é grande e suprema a natureza

Não há pedra igualmente ao diamante
Nem metal tão querido quanto o ouro
Não existe tristeza como o choro
Nem reflexo igual ao de um brilhante
Nem comédia maior que a de Dante
Nem existe acusado sem defesa
Nem pecado maior que avareza
Nem altura igual ao firmamento
Nem veloz igualmente ao pensamento
Nem há grande igualmente à natureza

[Zé Vicente, Passarinho do Norte e Bráulio Tavares]

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mestres da poesia


O mestre maior de todos, Manoel Xudú, poeta paraibano da cidade de Pilar, um dos maiores gênios da poesia. Em certa ocasião era, insistentemente, interpelado por um ouvinte da cantoria, que lhe oferecia uma bebida enquanto o poeta cantava, o mestre Xudú saiu-se com essa pérola;


Deixe de tanta imprudência
Deixe eu findar a peleja
Como é que eu posso tocar
Cantar e tomar cerveja
Quem três gosto é cachorro
Que corre, late e fareja.