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sábado, 8 de dezembro de 2007

João Badalo, o Lobisomem e a Comadre Fulôzinha


Esse vídeo é algo surreal! João Badalo descreve o Lobisomem e a Comadre Fulôzinha, que ele já chegou a ver!
Presta atenção na doidice!!!


quinta-feira, 19 de julho de 2007

Por Ésio Rafael



MANOEL FILÓ

O Brasil é uma rima, essa particularidade estampada nas mais remotas manifestações e nos traços culturais de cada cidadão que, de uma forma ou de outra, se sintoniza apesar da diversidade da nação tupiniquim. Na literatura, na música, no cinema, na poesia. Então vejamos: na literatura, Graciliano Ramos, alagoano de Quebrangulo, portanto, nordestino, e reputado como o maior romancista modernista do país. Na musica, por questões obvias, Luiz Gonzaga dispensa comentário. Glauber Rocha, baiano de Vitória da Conquista, ganhou o mundo como cineasta e diretor de cinema, cujo filme – Deus e o Diabo na Terra do Sol, deu-lhe ampla notoriedade. Um filme que tem como mote a Literatura de Cordel ou folheto de feira, mais precisamente. Na poesia, João Cabral de Melo Neto, pernambucano do Recife, escreveu – Morte e Vida Severina, cujo texto todo rimado representava um auto de natal em sua origem, desenvolvido no bairro de Casa Amarela no século XIX.
Não precisaríamos de mais detalhes para nos certificarmos da presença vital do Nordeste no cenário artístico e literário brasileiro. O detalhe fica por conta de já falarmos metrificado, cantando, além de sermos dramáticos em nossa essência. Esses valores, juntos, formam um arcabouço rico, de fonte inspiradora e inesgotável.
É o caso de Manoel Filomeno de Menezes - Manoel Filó, um sertanejo do Pajeú pernambucano, Fazenda Tabuado, Afogados da Ingazeira. É muito difícil uma definição exata do que viria a ser Filó dentro dos padrões normais:

poeta, criador, pesquisador natural, in locum, filósofo, no dizer de Alcides, um padre italiano, conselheiro da família, reserva moral, boêmio?
Poeta seria a forma mais condensada e aproximada de chamá-lo, pelo seu poder de aglutinação. Justifica-se pelo fato de Manoel ser um patrimônio da cultura nordestina, legitimado pelo povo admirador do repente e do poder da palavra improvisada. Motista de primeira categoria, não só pela imagem, mas pelo poder de síntese:

-CHORA O CEDRO NA GRUTA DA FLORESTA
ESCUTANDO O MACHADO A TRABALHAR.

-UMA GOTA DE PRANTO MOLHA O RISO
QUANDO O PRESO RECEBE A LIBERDADE.

Estar com Filó, além de ser um aprendizado, um conforto, é não pressentir a fuga do tempo e nem a diferença de idade.
Um jovem de 18 anos, por exemplo, conversa com ele de 73, de igual para igual, indo e voltando. Filó não se faz de rogado caso seja convidado a participar de uma roda de jogadores de pião, com boi, fincão, mucica e deita.
Podemos afirmar com segurança que Manoel está dentro do contexto da história feita por personalidades que ofertaram suas vidas em prol da cultura popular nordestina.









Ésio Rafael, Recife, 14/09/2003

segunda-feira, 5 de março de 2007

Dois gênios

Numa amizade, que surgiu ainda na infância, os poetas, Manoel Filó e Zé de Cazuza, edificaram uma relação de respeito, confiança e poesia sobrando. Criaram, juntos ou separadamente, grandes obras da poética sertaneja universal. Durante muitos anos, foram amigos inseparáveis. Viajaram muito pelo sertão afora, atrás de cantorias, de novos poetas e com isso, alargando também, seu rol de amizades. Durante uma dessas viagens, vinham com destino ao Recife, e para passar o tempo na viagem, cantavam de improviso, de onde saíram estes dois, de tantos, belos versos no tema Depois da morte do dia.
Vale dizer, que os versos, de ambos, foram decorados por Zé de Cazuza, conhecido também, como O gravador humano, por conta da facilidade que tem em arquivar no juízo aquilo que lhe desperta o interesse.

Zé de Cazuza

Nesta hora o peregrino
Muda a marcha do andar
Baixa um profundo pesar
Na alma do assassino
Na igreja um velho sino
Saúda a Virgem Maria
Uma mãe na moradia
Beija uma filha que preza
Num casebre um velho reza
Depois da morte do dia

Manoel Filó

Numa cerca de aveloz
Depois do sol amparado
O vaga-lume assustado
Fica testando os faróis
Os pescadores de anzóis
Embocam na água fria
Ficam naquela agonia
Se uma piaba belisca
Termina roubando a isca
Depois da morte do dia

quinta-feira, 1 de março de 2007

Foto histórica

Esta foto histórica, segundo Zelito, foi tirada num festival de violeiros em Monteiro-PB, o ano é que ninguém sabe. Estão na foto nada menos que; o primeiro de esquerda pra direita Zelito me disse quem era, mas eu num lembro agora não, mas os outros, Hããã!!! Pence numa fila arrumada; o mestre Zé de Cazuza, chamado por José Rabelo de O guarda da torre do tombo, por sua facilidade em decorar cantorias inteiras, até quando era ele mesmo quem cantava. Depois vem Nildinho, o maior imitador de gente que eu já conheci na minha vida. Não escapa ninguém nas regiões do Cariri-PB e Pajeú-PE, todo mundo ele imita. Junto dele o não menos genial e mundialmente conhecido Chico de Dedeis, imortalizado por Zelito Nunes, profundo conhecedor de suas histórias. Agora eu cheguei onde queria, este derradeiro ai é meu pai, o mestre Manoel Filó, Filósofo, como era chamado por muitos, um mestre não só na poesia, mas na conduta moral, servindo de exemplo a todos que gozaram de sua companhia. Acho que já publiquei está foto em outra ocasião, mas digo, esta não será a ultima.