domingo, 11 de maio de 2008

Ésio Rafael no site Interpoética!


Pra mim foi mais que uma honra participar desta entrevista. Agradeço o convite de Ésio, Cida e Sennor. Foi, na verdade, uma grande e proveitosa farra, regada a poesia e, é claro. uma cachacinha das boas! Parabéns ao site Interpoética pelo belo trabalho, pela transcrição incorrigível, pelo cuidado, incluindo ainda uma galeria de fotos.

Esta foto abaixo descreve um pouco do que foi esta tarde de março no terreiro da casa de Ésio Rafael. Clique no link acima e pode desfrutar!


Mais uma pra Zé Vicente


Em mais uma foto do poetamigo Paulo Carvalho, que tem um acervo fotográfico incrível. O poeta Zé Vicente canta com o poeta cantador Zeto. Esta cantoria está se repetindo nos salões celestiais!

Uma homenagem do poeta Zelito ao mestre Zé Vicente!

ZÉ VICENTE NO CÉU


Zé Vicente chegou no paraíso
Foi direto pra casa de Cancão
Que num abraço lhe disse – meu irmão
Você trouxe farinha e rapadura?
Cante um verso que fale da natura
De um canário voando na amplidão
Que eu lhe falo do amor da virgem pura
E a saudade que eu sinto do sertão.

Zelito Nunes

Agenda Unicordel

13/05/08 (terça)-15 h - Palestra de Altair sobre a poesia e o rádio, na Biblioteca Pública de Casa Amarela

13/05/08 (terça) -19h - Inauguração do espaço do Coletivo CÉLULA MATER - Rua da Glória, nº 310 - Boa Vista (cartaz anexo)

15/08/08 (quinta) - 20h - Recital com Altair Leal, Felipe Júnior e José Honório na Pizzaria O LENHADOR , na Lagoa do Araçá (próximo ao núcleo policial)

16/05/08 (sexta) - 15 h - Intervenção do Coletivo Oroboro na Estação Central do Metrô


Mestres da poesia

Foto Paulo Carvalho

O poeta Zé Vicente, na foto com Louro do Pajeú, viajou fora do combinado nesta sexta-feira última passada. O poeta estava hospitalizado a dias na cidade de Bezerros, e teve seu descanso merecido. Zé Vicente foi e sempre será um ícone no universo dos repentistas.

O que prende demais minha atenção
É um touro raivoso numa arena
Uma pulga do jeito que é pequena
Dominar a bravura do leão
Na picada ele muda a posição
Pra coçar-se depressa com certeza
Não se serve da unha nem da presa
Se levanta da cama e fica em pé
Tudo isso provando quanto é
Poderosa e suprema a natureza

Admiro demais o beija-flor
Que com medo da cobra inimiga
Só constrói o seu ninho na urtiga
Recebendo lição do Criador
Observo a coragem do condor
Que nos montes rochosos come presa
Urubu empregado na limpeza
Como é triste a vida do abutre
Quando encontra um morto é que se nutre
Quanto é grande e suprema a natureza

Não há pedra igualmente ao diamante
Nem metal tão querido quanto o ouro
Não existe tristeza como o choro
Nem reflexo igual ao de um brilhante
Nem comédia maior que a de Dante
Nem existe acusado sem defesa
Nem pecado maior que avareza
Nem altura igual ao firmamento
Nem veloz igualmente ao pensamento
Nem há grande igualmente à natureza

[Zé Vicente, Passarinho do Norte e Bráulio Tavares]

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Boa Nova [O livro de Cancão]

O poetamigo Lindoaldo Jr., organizador do livro Palavras ao plenilúnio, do genial poeta João Batista de Siqueira, Cancão, estará neste sábado, dia 10, no Mercado da Madalena, mas precisamente no Box Sertanejo, nos brindando com a 2ª edição do livro. Muitos me procuraram, e procuram, a procura do livro do poeta, que teve sua 1ª edição esgota quase que no lançamento. Pois bem, esta é uma ótima oportunidade de adquirir esta obra prima, não só pelo fabuloso conteúdo poético, inquestionável, bem como pelo esmero e cuidado do organizador na compilação e apresentação da obra. Pra quem não conhece Cancão, tai uma “pequena” mostra de sua grandeza poética.

CREPÚSCULO

O céu se abre num leque de rubor
A luz solar cristaliza o panorama
Se escoa e tremula sobre a rama
Tornando toda a pelúcia multicor

Os horizontes circulam de outra cor
A penumbra parece arder em chama
A última luz no ocaso se derrama
Num quadro mágico, sublime, encantador

O sol, guerreiro que veio do Oriente
Passou o dia lutando ferozmente
Da guerra trouxe seu golpe assinalado

Agoniza agora, e através da tela infinda
Pela grimpa da serra mostra ainda
A metade do rosto ensangüentado

Logo abaixo, temos dois textos, de Ésio Rafael e Meca Moreno, que dão um lustre mas adequado a obra prima do mestre Cancão!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Um recado de Josildo Sá

Quero comemorar com todos os amigos e parceiros a indicação ao PRÊMIO TIM DE MÚSICA BRASILEIRA, na categoria de MELHOR CANTOR REGIONAL!! Agradeço a todos vocês que me incentivam e torcem pelo meu trabalho!!

PRA COMEMORAR mais essa vitória, eu estarei com minha banda fazendo temporada de forró e samba de latada neste mês de maio inteiro:

QUINTAS-FEIRAS DE MAIO: estarei no Restaurante GIO em Boa Viagem com muitos convidados. Neste próximo dia 8, 22h, os convidados são Geraldo Maia e Cézar Michilles!! Dois amigos que admiro muito.
Informações: 3325.5588

SEXTAS-FEIRAS DE MAIO: estarei no Quintal do Lima, na Rua do Lima número 100. A festa começa dia 9, as 22h, com os melhores DJs da cidade. No quintal o meu convidado desta sexta é o coquista caruaruense Herbert Lucena. Informações: 3221.6552 E 8856.6251

Conto com vocês pra gente divulgar esta temporada ok!! Um grande abraço. Josildo Sá.

Ta valendo poeta! Pode contar com a gente!!!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mestres da poesia


O mestre maior de todos, Manoel Xudú, poeta paraibano da cidade de Pilar, um dos maiores gênios da poesia. Em certa ocasião era, insistentemente, interpelado por um ouvinte da cantoria, que lhe oferecia uma bebida enquanto o poeta cantava, o mestre Xudú saiu-se com essa pérola;


Deixe de tanta imprudência
Deixe eu findar a peleja
Como é que eu posso tocar
Cantar e tomar cerveja
Quem três gosto é cachorro
Que corre, late e fareja.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

What's Happening in Pernambuco


“O que está acontecendo em Pernambuco” é a tradução dessa coletânea lançada nos Steits pelo selo Luaka Bop do produtor e músico David Byrne. Né brincadeira não! Os caras já estavam numa coletânea que saiu a dois anos na Europa e agora invadem a terra dos ianques. É, quero ver quando os Vates serão reconhecidos por aqui!












Os irmãos Luis Homero e Miguel Marcondes [na foto acima], líderes da banda Vates e Violas, estiveram por estes dias em viajem pelo sertão dos estados da PB e PE, divulgando e mostrando seu mais novo trabalho, o CD "Quem não viaja, fica!". Em Serra Branca-PB participaram da gravação do DVD da banda Forro Gente Boa, junto a nomes como; Biliu de Capinas, Os Três do Nordeste, Nanado Alves e tantos outros.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Quem não viaja, fica! [onde comprar]


Passa Disco
Shopping Sítio da Trindade
Fone 32680888

Box Sertanejo
Mercado da Madalena
Fone 34468596

Budega de Veio
Ladeira do Amparo-Olinda
Fone 34290185

Oficina da Música
Av. Guararapes-Centro
Fone 32247654

Livraria Cultura
Paço Alfândega-Recife Antigo
Fone 21024033

Livraria Saraiva
Shopping Center Recife
Fone 34649393

Gramophone
Shopping Center Recife
Fone 34646298

Mais pontos de venda em breve!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Tá aqui, tá aqui, tá aqui, tá aqui...!


PRU SÃO JOÃO DA CAPITÁ


Essa é minha contribuição para o manifesto do amigo Anselmo Alves, transcrito logo abaixo, Eu quero o meu sertão de volta! Esse “São João da Capitá” é uma verdadeira Ode ao lixo sonoro produzido por esse encharco de bandas comerciais, onde o que menos importa é a musica!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Acunha! Josildo Sá e Paulo Moura!!!

Esses dois manifestados buliram com o quebra cabeça da música direitinho. O Samba de Latada que esses cabôco se juntaram pra fazer, é de lascar o cano e o resto da obra. Isso sem falar no povo que bóli com os instrumentos, uma banda mais que inteira. Mestre Paulo Moura exercita os pulmões da maneira mais melódica que pode existir, enquanto o vaqueiro plugado, Josildo Sá, peneira a voz num arrastado de primeira. É bonito de ver, ouvir, dançar, sentir... num deixe de ir nem que dê a gôta!!!

domingo, 13 de abril de 2008

Fala, Ricardo Anísio!


Viagem sem volta

Vates & Violas lança seu segundo CD “Quem Não Viaja, Fica!” durante apresentação amanhã no Teatro Paulo Pontes

Ricardo Anísio
ricardoanisio@jornalonorte.com.br

O grupo (ou seria melhor chamar de dupla?) Vates & Violas virou uma lenda alternativa na música do Nordeste, tanto quanto na sua riqueza poética, herança de cantadores e trovadores nordestinos que lhes foram apresentados pelo pai, o lendário cantador e poeta Zé de Cazuza. Agora com um som mais amadurecido do que no CD de estréia, eles chegam ao palco do Teatro Paulo Pontes (Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho) amanhã (11) mais conscientes, para lançar o segundo disco, "Quem Não Viaja, Fica". No show desta sexta-feira estarão participando os poetas Felizardo Moura (irmão de Miguel e Luiz), Marco Di Aurélio, Feitosa Nunes e Zé de Cazuza, este último, 'lambendo as crias' sobre as quais semeou tantos versos e estórias. Os ingressos para a cantoria de lançamento custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (para estudantes). A apresentação começa às 21h.

No primeiro disco, que vendeu nada menos do que dez mil cópias, sem nenhum aparato de divulgação institucional e esgrimando com a alienação reinante onde músicas pobres abocanham o mercado sem dó nem piedade, Miguel Marcondes e Luiz Homero conseguiram a respeitabilidade dos que se interessam por poesia, e por música, sem concessões. Formado em 1997, portanto já com 11 anos de caminhadas, o Vates & Violas hoje é um comboio, uma caravana, uma trupe. "Não pensamos somente como dupla, mas entendemos que somos um grupo de todos que tocam conosco e caem na estrada", disse Luiz Homero ao caderno Show em contato no Recife, semana passada.

Canções como "Ladeiras e Carnavais", "Tibumgo", "Clorofila" e "Saudade Boa" entre outras, deixam bem claro que o pó da estrada deu um cabedal maior aos vates que com suas violas em punho transgridem qualquer curso normal de que se tenha notícia na música atual. "Quem Não Viaja, Fica!" é um disco daqueles a serem catalogados como World Music, pela maneira reverencial com que tratam suas influências mas viajando por outros prados, sem a menor cerimônia. Miguel e Luiz lidam bem com os versos, prenhos de metáforas, o que faz de suas obras algo inovador sem deixar de ter o gosto de raiz.

De uma década pra cá o que lhes coube foi dar um polimento na sonoridade e trabalhar a capa do CD como lhe é devido: o futuro abraçando o passado, para construir o presente. Diríamos que, talvez até inconscientemente, Luiz Homero e Miguel Marcondes têm um que de Raul Seixas, principalmente na viagem planetária que propõe, e no despojamento musical que bebe no sertão e no espaço, sem pousar nas capitais tão frias e violentas.

"Fizemos esse disco com mais zelo, tivemos mais tempo e mais condições para dar qualidade técnica ao que já vínhamos perseguindo", disse Homero quando de nossa conversa rápida na loja Passadisco, em Recife. Eles rejeitam a pose de superstar, e suas esquisitices são naturais. Mas não entendam cá ser esquisito com ser chato, arrogante ou coisa que o valha. Eles são mesmo os bicho-grilo dos quais a urbe ainda não tirou o cheiro rural. Mas também está longe de serem fruto dessas duplas pseudo-sertanejas que empestam o mercado fonográfico.

"É importante a banda fazer um disco que pode ser levado ao palco sem muita diferença do estúdio para não decepcionar nem confundir o público", diz Miguel Marcondes para explicar que os músicos que gravaram o disco estarão no palco do Paulo Pontes amanhã.

Publicado no jornal O Norte, Paraiba, dia 10 de abril.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Meu Pajeú


Uma barragem sangrando
Água barreira a barreira
A grota na corredeira
É meu Pajeú cantando.
O meu sertão invernando
Traz fartura e alegria
Tudo que plantar se cria
Nas margens do redentor
Meu Pajeú teu valor
Eu decanto em poesia.

Jorge Filó

Foto da barragem de Brotas em Afogados da Ingazeira.
Ano de 2008.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Um ano blogando! Parabéns!!!

Me passou desapercebido que neste mês de março o nosso blog No pé da parede completou um ano em plena atividade. Mais de 3 mil pessoas visitaram nossa página neste primeiro ano - de vários que virão - o que nos enche de orgulho e vitalidade para continuar blogando. Espero – acredito que estou – estar agradando a todos que nos visitam. Um abraço a todos que passaram por aqui, e continuem fazendo parte deste terreiro que se expande pelo mundo.

Aqui no pé da parede
É onde a prosa vadeia
Nossa arte popular
A sua verve semeia
Com força e com energia
Espalhando a poesia
Respeitando a arte alheia.

Sempre que puder, nos visite, deixe seu comentário, participe com sugestões, críticas, elogios...

SEJAM SEMPRE BEM VINDOS!


Jorge Filó

quarta-feira, 26 de março de 2008

Do livro "As curvas do meu caminho"


A paixão é um rio cheio
De água clara ou escura
Pra se passar pelo meio
Sem conhecer a fundura.

Poeta Manoel Filó.

Eu assino este manifesto!!!

EU QUERO O MEU SERTÃO DE VOLTA!


Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão de Pernambuco, e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Em todos os espaços de convivência, praças, bares, e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro, desqualifica e coisifica a mulher e embrutece o homem.
O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta “beber, cair e levantar”, ou “dinheiro na mão e calcinha no chão” ? O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando “vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado” ? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas? Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie. E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade.
E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos?
Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forro! O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual! O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical que, em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresentam como bandas de “forró eletrônico”! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80.
Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática! Os arranjos executados são parecidos! Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo gonzaguiano. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds e dvds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral.
Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo! Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo!
Mas, felizmente, há exemplos que podem ser seguidos. A Prefeitura do Recife vem conseguindo realizar um São João e outras festas de nosso calendário cultural com uma boa curadoria musical e retorno excelente de público. A Fundarpe tem demonstrado a mesma boa vontade ao priorizar projetos de qualidade e relevância cultural.
Escrevendo essas linhas, recordo minha infância em Serra Talhada, ouvindo o maestro Moacir Santos e meu querido tio Edésio em seus encontros musicais, cada um com o seu sax, em verdadeiros diálogos poéticos! Hoje são estrelas no céu do Pajeú das Flores! Eu quero o meu sertão de volta!


Anselmo Alves
j.anselmoalves@hotmail.com

quinta-feira, 20 de março de 2008

Um soneto

Poetizando

Nenhum verso no mundo satisfaz
Meu desejo ancestral do improviso
Quanto mais faço versos, mais preciso
Fazer versos e mais e mais e mais.


O repente em mim só sente paz
Quando explode na caixa do juízo
Cada verso pra mim é pra Narciso
Um espelho a mostrar que sou capaz.


O repente acelera o pensamento
Cada verso retrata um sentimento
Que nenhum outro ser, por si, revela.


A não ser um poeta improvisando
As belezas do mundo vislumbrando
Do batente que Deus tem na janela.


Jorge Filó

terça-feira, 18 de março de 2008


Eu hoje pesquisando sobre Pinto do Monteiro, fui bater em Mário Quintana – essa tal de internet é F... –, pois bem, lendo algumas de suas citações, essas me chamaram a atenção.

“A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe”

“O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!”

Mário Quintana

Aaaaaah! Os poetas!

Aquecimento Global

Migué fazendo um som no terreiro do Ap.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Do livro "As curvas do meu caminho"

Por várias vezes, em diversos encontros, os poetas Manoel Filó e Jó Patriota, travaram grandes embates, em cantorias memoráveis. Esses encontros, sempre regados com Pitu D7ne, se davam em casas de amigos, nunca de modo profissional. E foi neste universo de simplicidade e lirismo, que saíram essas magníficas perolas improvisadas pelo mestre Manoel Filó, instigado com as deixas do poeta do lirismo, Jó Patriota..
Fiquem a vontade!





A chuva de pedra amassa
Qualquer barracão de zinco.

Manoel Filó:

No ano de oitenta e cinco
Quando chegava a tardinha
O povo chega tremia
Sabendo que a cheia vinha
Tapando as cacimbas feitas
Fazendo aonde não tinha.

Jó:

Normalmente a prostituta
Deixa o companheiro farto.

Manoel Filó:

São companheiras de quarto
Da mulher prostituída
Uma bacia com água
Uma toalha encardida
Aumentando os arranhões
No quadro negro da vida.

Jó:

Vamos cantar mais um pouco
Enquanto a chuva não cessa.

Manoel Filó:

Quando o inverno começa
Fica o mundo transformado
O mato que apodrece
No aceiro do roçado
Fica desprendendo um cheiro
De bacalhau cozinhado.

Jó:

Manoel ficou parado
Mas agora decidiu.

Manoel Filó.

João dos Passos me pediu
Que eu cantasse um pouquinho.
Mas eu me sinto cansado
Igualmente a um passarinho
Que passou o dia todo
Tangendo cobra do ninho.

Jó:

A memória fica falha
Depois que a idade cresce.

Manoel Filó:

O homem quando envelhece
Fica todo diferente.
Embora ele tenha sido
Um rapaz inteligente,
Começa aparecer falhas
Nas engrenagens da mente.

Jó:

O inverno muda o cheiro
Do campo na ventania.

Manoel Filó:

Quando a chuva principia
Se recomeça o trabalho.
Quem olhar, vê pelas plantas
Milhões de pingos de orvalho,
Como se houvesse um rosário
Pendurado em cada galho.

Jó:

Como foi ingrata a vida
Da tua mãe e da minha.

Manoel Filó:

Mãe deitava uma galinha
Numa tigela quebrada
Escorava com três pedras
E mais um caco de enxada
Para os ovos não gorarem
Se desse uma trovoada.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Mestre Chico

Na próxima sexta, dia 14, no Bar, Restaurante e espaço aberto a cultura sertaneja “Arriegua”, na Cidade Universitária do Recife, a partir do meio-dia, nosso mestre da poética sertaneja e universal Chico Pedrosa, estará comemorando seu aniversário com muita poesia, causos, musicas e a participação dos amigos. Já tem presença garantida de Amazan, Ivan Ferraz, da turma da Unicordel e mais uma penca de gente boa! Na ocasião, Chico, vai está relançando seu livro e seus Cds. Compareça e traga uma tuia grande de gente pra ver uma festa genuinamente sertaneja!

Serviço

O quê? Aniversário de Chico
Onde? Bar e restaurante Arriegua (CDU)
Quando? Dia 14 de março
Que hora? 12h (meio-dia)
DE GRATIS!!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Dando um tempo

Meus caros poetas, estou temporariamente, impossibilitado de atualizar este blog com mais frequência. Peço desculpas a todos e em breve estarei de volta!
Um abraço!

domingo, 27 de janeiro de 2008

A prévia ferveu!!!!!!!!


A turma da Unicordel "botou pegado" na sua prévia do bloco Cordel em Folia, neste sábado último [dia 26/01]. Numa festança pra lá de animada, o mercado da Boa Vista ficou pequeno pra tanta gente. Teve declamação, desfile de fantasias [com temas de cordel], orquestra de frevo, com o auxílio luxuoso de Getulio Cavalcante, um dos nossos maiores compositores de frevo, e poetas de todas as esferas. Também estavam presentes; a turma da troça da Besta Fubana, Lobo Mau da Boa Vista, Interpoética, Poetas Independentes, além de muitas outras figuras ilustres. "Foi pra torá a tampa do catimbofá!". E foi só a prévia, no carnaval tem mais! Quem quiser comprar a camisa do bloco, que faz homenagem ao poeta cordelista Leandro Gomes de Barros, é só ligar pra João Campos [81-99770746] ou Zé Honório [81-88965649] articulistas da Unicordel.
Um abraço a todos e até as festas de Momo!
Ah! Dia trinta, próxima quarta, tem a Quartas Literárias no CCLF [Centro de Cultura Luiz Freire] em Olinda. Terra do maior carnaval do mundo!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Do livro "As curvas do meu caminho"

Cantando com Jó em Itaparica PE, ele termina uma estrofe dizendo:

De qualquer coisa o inseto
Deixa a casa construída

Manoel Filó:

A aranha passa a vida
Numa residência bela
Possui ferramenta própria
Para construir a tela
E a matéria prima é parte
Do peso do corpo dela.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Cordel em Folia


Tem cordel no carnaval
Com rimas de alegria
Sextilhas com muito frevo
No passo da fantasia
E o Rei Momo apresenta
UNICORDEL em folia.

UNICORDEL em folia
Frevança no recital
Poetas viram passistas
Do sertão ao litoral
E o Rei Momo já disse
Tem cordel no carnaval.


A turma da UNICORDEL convida a todos e todas para sua prévia do carnaval 2008, do bloco Cordel em Folia. A frevança vai ser no Mercado da Boa Vista, dia 26 deste mês de janeiro, a partir das 11h, com concurso de fantasias [temas de cordéis], onde a participação é aberta a todos [ver regulamento no site INTERPOETICA] recital poético, orquestra de frevo e muita animação! Camisas do bloco vão estar a venda no local.
Essa mistura da rima! Compareça e leve a família, os amigos, visinhos, colegas e quem mais você quiser!

domingo, 6 de janeiro de 2008

Cultura livre no sertão do Pajeú!


II Festival Porta da Índia de Cultura Livre – São José do Egito/PE

O prédio da antiga Usina de beneficiamento de algodão, em São José do Egito, no Sertão do Pajeú, sedia nos dias 11, 12 e 13 de janeiro de 2008 o II Festival Porta da Índia de Cultura Livre. O encontro abre espaço para experiências livres na dança, música, teatro, literatura, vídeo, rádio, artes plásticas, alimentação natural, educação ambiental e economia solidária. O festival é realizado de forma independente e colaborativa.

Na edição de 2008, além das apresentações artísticas, o Festival realizará vivências em teatro, percussão, dança, vídeo, rádio, alimentação natural, ecologia, artesanato e literatura, onde serão incentivadas criações livres e compartilhadas. O encontro também contará com mostras de vídeos e fotografias e estará aberto a apresentações musicais e teatrais, recitais, performances e exposições de arte.

O Festival surge como alternativa à cultura de massa - tão difundida pelas rádios e televisões comerciais –, possibilitando que a população conheça e experimente outras expressões, além, muito além, da programação televisiva e radiofônica que nos é imposta pelos monopólios midiáticos.

Terra da Poesia - São José do Egito, localizada a 404 km do Recife, é conhecida mundialmente pela sua gente, essencialmente criativa, lírica e engraçada. Berço da Poesia, Musa do Pajeú, Capital dos Repentistas, Terra dos Cantadores, São José do Egito, tão rica culturalmente, quase não dispõe de espaços de incentivo e difusão das expressões artísticas de seu povo (assim como em praticamente todas as cidades do interior brasileiro). Alguns poucos eventos são realizados esporadicamente na cidade e estes não abrangem todo o potencial artístico local. O único cinema da cidade, seguindo o caminho de outras salas de interior, há alguns anos tornou-se uma igreja evangélica.

SERVIÇO:

II Festival Porta da Índia de Cultura Livre

Data: 11, 12 e 13 de janeiro de 2008

Local: São José do Egito/ Pernambuco

Hora: o dia todo, todos os dias

Entrada: livre

Mais informações:

Anaíra Mahin (9158-8152)

Luciana Rabelo (9172-0995)

COMO IR E ONDE FICAR:
Estará saindo um ônibus do Recife, no dia 11 (sexta-feira). A hospedagem pode ser tanto em hotéis, como em alojamentos que a produção disponibilizará. Quem optar por ficar em alojamentos deverá levar roupa de cama e banho, além de dinheiro para alimentação.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Unicordel-PE já vem embalada pra 2008


A poesia não pára!

Passados os festejos de final de ano, a Unicordel dá continuidade ao projeto SEXTA DE VERSOS, e realiza nesta sexta-feira, dia 04, a partir das 19h 30min, mais um encontro de música e poesia, no Bar e Restaurante

Feijao & Cia
.

Criada em abril de 2005, a Unicordel - União dos Cordelistas de Pernambuco, é um movimento de valorização da poesia popular que tem como principal ação, a realização de eventos que possibilitem ao público o contato direto com os poetas que hoje se dedicam à preservação desta tradicional e genuína expressão da cultura pernambucana e nordestina.

Recado do poeta e articulador da Unicordel José Honório.