quarta-feira, 23 de julho de 2008

Do livro "As curvas do meu caminho"

Zé Marcolino e Manoel Filó


ZÉ MARCOLINO

O CANÁRIO PRESO

Afastado da campina
Fica o canário tristonho
A tristeza lhe domina
Por ver seu irmão por sonho
Sem voar pelo baixio
Sem ver a água do rio
Aumenta sua saudade
Sem se afastar do calvário
E assim vive o canário
Privado da liberdade

Tenha pena do canário
Que não fez mal a ninguém
Fazê-lo um presidiário
Sem tirar vida de alguém
O deixe cantar voando
Que o campo está lhe esperando
Na maior ansiedade
Seja humano e consciente
Não se deixa um inocente
Privado da liberdade

A foto é do arquivo do apologista Urbano Lima e não consta no livro "As curvas do meu caminho" do poeta Manoel Filó.



quarta-feira, 16 de julho de 2008

Unicordel e Marcelo Soares



Numa parceria da UNICORDEL – União dos Cordelistas de Pernambuco, com a Comissão Pernambucana de Folclore, estamos oferecendo uma OFICINA DE XILOGRAVURA, na sede da Comissão, com o Mestre MARCELO SOARES, um dos maiores gravuristas do Brasil. Temos apenas 15 vagas.

Graças à parceria da UNICORDEL com a Comissão Pernambucana de Folclore e com o Mestre Marcelo Soares, esta oficina, excepcionalmente, custará apenas R$ 30,00 por participante (sem as parcerias, teríamos um custo de R$ 150,00 por participante).

Logo após nossa oficina, o Mestre Marcelo Soares estará transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde ficará à frente de projeto da UERJ.

SERVIÇO

O que: Oficina de Xilogravura;

Quando: 16 e 17/07/2008 (quarta e quinta-feiras), das 18:00 às 21:00 horas;

Onde: Sede da Comissão Pernambucana de Folclore.

Endereço: Rua da Aurora, 127, apto. 203, Edf. SANTALICE. Entrada por trás do antigo Cinema São Luiz;

Quanto custa: R$ 30,00

Inscrições com Meca Moreno, pelo telefone (81) 9697 6725, e-mail mecamoreno@gmail.com .

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Do livro "As curvas do meu caminho"

“Sua infância foi risonha? / calma não responda agora” Assim começa um poema de Chico Pedrosa, sertanejo de nascença, que, como muitos outros, sofreu a infância dos tempos difíceis de seca. Assim como meu pai, de família pobre e numerosa. Estes versos, constantes do livro “As curvas do meu caminho” retratam bem o que ainda hoje se repete.

Dizem que a infância é bela
Pelos adultos lembrada
Eu não posso dizer nada
Porque não passei por ela
Não tive animal nem sela
Nem bicicleta infantil
Só conhecia bombril
Porque trazia do mato
As buchas de lavar prato
Que cada pé dava mil.

Toda Sexta feira eu tinha
A missão constrangedora
De ir procurar vassoura
De relógio ou vassourinha
Mãe cuidava da cozinha
Do terreiro, eu e Luiz
Quem assoasse o nariz
Até sangue aparecia
Nesse tempo eu nem sabia
Que havia infância feliz.

No dia em que completei
Meus nove anos de idade
Tive uma felicidade
Que jamais esquecerei
Do meu velho pai ganhei
Um passeio em São José
Quando comecei dar fé
Da vida longe do lar
Mas tive que caminhar
Quase oito léguas a pé.

Cansei de levar galinha
Que produzia um som rouco
Pra ela largar o choco
No terreiro da vizinha
Superstição que mãe tinha
Tal qual fosse uma vacina
Aquela ação repentina
Significava um título
Eis aí mais um capítulo
Da cultura nordestina.

Nesse tempo não havia
Televisão e nem rádio
Não se conhecia estádio
Porque ninguém construía
Se uma criança nascia
Pai tratava de levar
A placenta e enterrar
Na carapuça de um morro
Onde não tinha cachorro
Que conseguisse arrancar.

Manoel Filó

terça-feira, 1 de julho de 2008

Novidades no Interpoética!!!

O Site Interpoética, dos amigos Sennor e Cida, continua nos presenteando com entrevistas, artigos e poesia, muita poesia. As atualizações trazem uma entrevista com o poeta Valmir Jordão, feita pelo poeta e escritor Urariano Mota, imperdível, traz ainda um artigo do poeta, professor e pesquisador da cultura polular, Ésio Rafael. Tem muito a sua espera! Clique na figura e caia nesse universo da poesia!


Um artista do povo!!!

Este sim é o gênio da raça! Competência, elegância e um primor de interpretação. Bravo!!!