segunda-feira, 31 de agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Um recado de Cida Pedrosa.

Convidamos para o Sarau Plural.

Participam Homero Fonseca, Flávio Brayner e Sérgio Gusmão.

CONVIDADA ESPECIAL: CIDA PEDROSA.

Tema: Eros, pra que te quero.

O erotismo na literatura, na música, no teatro, em todo canto.

Textos de Drummond, Lorca, Leminiski, Vinicius e Flaubert, músicas de Chico Buarque, Bororó, Lupicínio, Nazaré.

ENTRADA FRANCA.
TERÇA-FEIRA, 25 DE AGOSTO19 HORAS
ARTE PLURAL GALERIA
RUA DA MOEDA, 140 RECIFE ANTIGO

Um evento já consolidado! Vale conferir!!!


terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mestres da poesia!


Eulália
"Deixei-a solitária por uns dias,
Enquanto melhorava de ciúme,
E saí pra evitar muitas profias
Que entre nós já se davam de costume.

Nesse tempo eu andava arruinado!
As brigas entre nós, frequentemente
Transformaram a abelha do passado
Numa aranha de dor sempre presente!

Então o inseto que fazia, outrora,
Mel de carícias na feliz comeia,
Vinha fazendo entre nós dois, agora,
O fel da vida - numa horrível teia!

Corri mundos... andei por terra estranha
Procurando renúncia, esquecimento...
Mas dia-a-dia se infiltrava a aranha
Na teia enorme do meu pensamento!

Mandava-lhe presentes de onde estava,
Escrevia-lhe cartas carinhosas
Pedindo que esperasse qe eu voltava
E novamente nasceriam rosas...

Mas, uma noite, (Trsite noite, amigo!)
Eu entrei num Cassino...(Que amargura!)
Ai! Não chores de ouvir o que te digo
Nem te rias da minha desventura!

A sala estava cheia de cinismo
Dos que, no vício, vão matar a sede...
Era um antro de fumo e alcoolismo,
Com visões sensuais pela parede!

Uma perfume de bétulas e sândalos
Rescendia da carne e sedas finas,
E a luz envergonhada dos escândalos
Parecia tremer... sob as cortinas!

A dona do Cassino, a abelha-mestra
Do cortiço infeliz, torpe e devasso,
Dava bebida aos maganões da orquestra
E mandava agitar sempre o compasso...

Enquanto os instrumentos gargalhavam
Na frivolência do pagode insano,
Eu distinguia as notas que choravam
Nas cordas ultrajadas de um piano!

Mais tarde,(Era o intervalo do pecado!)
Enquanto a orquestra demorava o ensaio,
A pianista curvando-se ao teclado,
Dedilhava a canção ROSA DE MAIO...

Era aquela canção - quando partimos -
A que eu Eulália tocava todo mês...
Pois foi no mês de maio que nos vimos,
Eulália e eu - pela primeira vez!

Recordação...Saudade...Sofrimento...
Aproximei-me sem saber por quê...-
Era Eulália que estava no instrumento!
Sim, Eulália... vestida de "soirée"!

Quando me viu eu vi também seu vulto
Afogar-se nas brumas de uma desmaio...
E até hoje em minh'alma um piano oculto
Vive sempre a tocar ROSA DE MAIO!..."
Rogaciano Leite