Jorge Renato de Menezes, poeta conhecido artisticamente por Jorge Filó, nasceu em Recife em 1969. Viveu a infância entre as cidades de Recife, Tuparetama, São José do Egito e Arcoverde. Nesta última, viveu da adolescência à fase adulta, exercitando a produção cultural, quando se mudou para o Recife em 1998, onde reside até hoje.
No próximo domingo(01/08), às 14h, haverá mais uma cantoria no Nosso Quintal em Cantoria, projeto que une o programa Voz do Sertão e o Restaurante Nosso Quintal.
A dupla será Daniel Olímpio (foto) e Edvaldo Zuzu. Haverá recital e todos estão convidados.
Junte-se a nós em uma tarde poética!!!!!
INFO: 32286846
LOCAL: Nosso Quintal (ao lado da sede da Chesf), San Martin, Recife.PE
QUANDO: Domingo, 01 de agosto, às 14h.
O QUE: Cantoria com Daniel Olímpio e Edvaldo Zuzu.
As inscrições para quem pretende subir ao palco durante a Recitata, que acontece no dias 19, 20 e 21 de agosto, devem realizar sua inscrição até o dia 6 do mesmo mês. Elas devem ser feitas na sede Gole, na avenida Rio Branco, 76 A, no bairro do Recife. O evento faz parte da programação do Festival Recifense de Literatura – A Letra e a Voz.
Esta edição do evento terá algumas novidades. A partir deste ano, a Recitata terá o nome de um poeta, escolhido em assembleia pelos poetas participantes do concurso anterior, além de convidados. Para 2010, o nome é Pinto do Monteiro, poeta popular e compositor paraibano, morto em 1990.
Outra novidade é em relação à localização. Ele sai do pátio de São Pedro e passa para a rua da Moeda. Nos dias de 19 e 20 acontecem as apresentações classificatórias e, no último dia, acontece a final.
Para concorrer, os poetas podem concorrer de forma individual ou em dupla. É preciso que o texto seja de autoria própria, e as performances durem, no máximo, três (individual) ou cinco minutos (dupla).
O vencedor na final recebe um prêmio de R$ 2,5 mil. O segundo fica com R$ 2 mil, enquanto o terceiro recebe R$ 1 mil. O quarto lugar ganha R$ 500.
Se avexe não
Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa
Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexorávelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavadeira
Pra ir mais alto vai ter que suar
Poeta Diniz Vitorino em foto do apologista Urbano Lima
Década de setenta
Morreu ontem pela manhã, em Caruaru, onde morava já alguns anos, o poeta Diniz Vitorino, um dos grandes mestres de uma geração de repentistas históricos. Era de família de poetas, filho de Joaquim Vitorino e irmão do também poeta Lourinaldo Vitorino.
Diniz, que ia completar 70 anos este mês, foi parceiro de nomes clássicos da nossa cantoria de repente, entre eles, é impossível citar todos, estão; Manuel Xudú, os irmãos Batista, Pinto do Monteiro, Jó Patriota, Ivanildo Vilanova, Geraldo Amâncio, Oliveira de Panelas, entre tantos outros.
O mestre Diniz era dono de uma das vozes mais fortes do repente. De uma linhagem de poetas eruditos e letrados, com um vocabulário rebuscado tanto no falar como no modo de cantar de improviso, ou escrevendo seus sonetos.
Uma perda inestimável para nossa poesia.
Segue um poema do mestre e uma seqüência de temas e modalidades de cantoria com o parceiro Otacílio Batista.
AOS CANTADORES
Diniz Vitorino
Ilustres colegas, fiéis andarilhos,
ó amados filhos das musas celestes!
Eu vos enalteço, chorando ou sorrindo,
por tudo de lido que em versos fizestes.
Poetas gigantes, caboclos aedos,
os vossos dez dedos são teclas caipiras,
cavando saudades em mundos de anseios,
tirando gorjeios das bocas das liras.
As vossas violas são harpas sonoras,
cítaras canoras, vestidas de rendas...
pianos matutos, que gemem sonatas,
ferindo as mulatas, no chão das fazendas.
As vossas falanges dedilham baiões,
tocando os bordões, batendo nas primas,
jogando nas nuvens poemas dispersos,
conjunto de versos, colóquios de rimas.
Amantes da lua, poetas legítimos!
Ó filhos dos ritmos, dos cantos selvagens!
As vossas cantigas aos rudes ofendem,
porque não entendem das vossas linguagens.
Cantai, cantadores, fazei vossa festa!
A vida só presta com cantos assim.
Se fordes expulsos por gênios perversos,
cantai vossos versos somente pra mim.
O poeta, tocador, cantador, declamador e o SCAMBAU! Maviael Melo, está participando de uma seletiva do site Conexão Vivo, para se apresentar no TCA [Teatro Castro Alves] na capital baiana.
Vamos divulgar e prestigiar este grande nome da nossa rica música da nação sertaneja.
Anchieta Dalí, além de grande compositor, é cantador, arranjador, produtor, e o scambal, dele mesmo e de vários outros nomes da nossa música nordestina.
Neste seu novo trabalho, o poeta faz uma miscelânea de forros, xotes, e baiões, que produziu, sozinho ou em parceria, com nomes como; Maciel Melo, Carlos Vilela, Abdias Campos, entre outros.
Vale conferir os dois, a apresentação e o CD.
Esse é um convite pra ninguém perder!!!
Amanhã [sexta, 28 de maio] no nosso ESPAÇO CULTURAL CACHAÇARIA MATULÃO, mais um grande encontro, mais uma grande reunião, de poetas e fazedores de arte, da nossa cultura sertaneja.
Uma das mais festejadas cantoras desta nova geração forrozeira, lança seus mais recentes trabalhos [CD e DVD], DiAmoR. Patrícia Cruz, nos brinda com uma apresentação do mais autentico forro Pé-de-serra, festejando a chegada do nosso tão esperado período junino.
Vale conferir!
Serviço:
O que? Lançamento CD e DVD, DiAmoR
Patrícia Cruz
Quando? Dia 28 de maio 2010
Onde? Espaço Cultural Cachaçaria Matulão [Box 34, Mercado da Boa Vista]
Marcelino Freire é Moxotozeiro de Sertânia-PE, hoje radicado em Sampa e no mundo. Dono de uma verve inconteste, é hoje um dos mais festejados escritores brasileiros, sem nenhuma dúvida. Sua escrita, contundente, testemunha isso!
Eu não sou da paz.
Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça.
Uma desgraça.
Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator?
Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não.
Não vou.
A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo.
A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue.
Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou. Não vou.
Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein?
Hein?
Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Ai que dor! Dor. Dor. Dor.
A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. A paz é que é culpada. Sabe, não sabe?
Cachaçaria que cabe
Tudo que é tipo de ensaio,
Cabe Vates e Violas,
Luminosos feito um raio,
Na tarde/noite da sexta
Deste 21 de maio.
Dedé Monteiro
Eita festa da bexiga,
Esta que eu vou perder
Não escutarei Dedé
Nem Jorge Filó vou ver
Não estarei no mercado
Mas aqui em outro Estado
O que me resta é torcer.
Ademar Rafael - Marabá-PA
Não quero ficar de fora
Se a obra é do Filó
E se há VATES E VIOLAS
Quem não for vai ficar só
Convite vir do Dedé
Eleva ainda mais a fé
Que é boa que nem jiló
João Alderney
Mercado da Boa Vista
É uma alegria só
Vamos lá prestigiar
O grande Jorge Filó
Mesmo não sendo de graça
Vou lá prá beber cachaça
Até ficar só o pó.
Nido do Acordeom é um dos mais versáteis músicos de Pernambuco. Tocou desde Luiz Gonzaga, passando por Miúcha, Milton Nascimento, enveredou pelo Mangue Beat, e por ai vai.
Hoje toca com a Banda Vates e Violas e com o Velho Xaveco do pastoril profano. Sua sanfona foi do Mestre Sivuca, o que comprova seu tempo de uso, bom uso por sinal. O tributo que presta amanhã, em Candeias, é mais uma forma de ajudar o grande música a adquirir um novo instrumento.
Esperamos todos lá, pra curtir muita música boa e de qualidade inquestionável.